Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Agosto 10, 2008 | 2 Comentários »
(Pintura: Claude Monet, Jardim de Giverny)
A dama das flores tem mãos calejadas
e manchas de sol sobre o rosto.
Ela narra-me os últimos eventos
de seu jardim com orgulho e lábios trêmulos.
Eu sorrio enquanto ouço-a descrever
as cores das suas orquídeas,
o tamanho das primeiras margaridas,
a profusão de galhos de mimosas.
Seu enlevo é o de um pintor
diante de uma obra-prima.
Digo [...]
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Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Julho 30, 2008 | 2 Comentários »
(pintura: Janela aberta, Pierre Bonnard)
Conheci seu pai, sua mãe, seus irmãos.
Afaguei a cabeças de suas gatas e
elas passaram a fugir das minhas mãos.
Conversávamos, contávamos nossos segredos
inofensivos e grandiosos.
Dormíamos no mesmo quarto
após o boa-noite fraterno
e uma última piada
ainda com a luz do corredor acesa.
Até hoje sinto a sua falta,
é como se, no passado,
tivesse deixado uma janela [...]
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Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Julho 23, 2008 | 1 Comentário »
(Pintura: Edvard Munch, Melancolia)
Tínhamos tudo.
Todas as horas entre a meia-noite
e o meio-dia eram nossas.
Todos os gritos e sorrisos,
todo o real e o infinito.
Tínhamos sonhos,
contávamos com o brilho
de nosso destino.
Tivemos tudo,
não precisávamos de relógios,
não contávamos nossos ganhos.
O que temos agora?
A lembrança do que
algum dia foram nossos planos.
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Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Julho 20, 2008 | 6 Comentários »
Fernando, sei que considera as cartas de amor ridículas,
por isso, não lhe escrevo uma carta de amor,
escrevo-lhe apenas uma carta amiga
na qual expresso minha admiração
por seus poemas, pela riqueza de sua escrita.
Sim, Fernando, seus poemas iluminaram muitas tardes de minha adolescência
e fizeram com que não me sentisse tão sozinha.
Eles ensinaram-me que mesmo que nunca ajeite [...]
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(Pintura: Approaching a city – Edward Hopper)
Esta cidade não é aquela na qual crescemos,
na qual aplaudimos atores nos palcos dos teatros,
na qual gritamos nossos nomes pelas ruas,
na qual fomos tristes e jovens.
Onde vocês estão agora?
Amava esta cidade apenas porque ela era nossa,
antes de partimos, consumimos toda a sua polpa.
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Mil e uma noites passaram sem que notasse a chegada da alvorada.
Mil e uma vezes fui entretida pela bela vestida com véus e seda.
Sua voz conduziu-me às tribos dos desertos e tive a honra
de entrar nos palácios de sultões e emires.
Provei pratos exóticos, beijei virgens,
adormeci ao som dos alaúdes
nas tardes perfumadas de almíscar.
Fui conquistada pelo [...]
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