(pintura: Rose la rouge de Toulouse-Lautrec)
Vendi meus sonhos a baixo preço
porque era preciso viver
e mantê-los saía muito caro.
Se os tivesse vendido mais cedo
ou se os tivesse mantido mais tempo,
eles teriam mais valor no mercado.
Arquivo da categoria ‘poesia própria’
Mercado
Publicado em poesia própria em Março 7, 2009 | Deixar um comentário »
Fábula
Publicado em poesia própria em Fevereiro 14, 2009 | 4 Comentários »
(Desenho de Beatrix Potter)
Que desgraça sofrer dessa vagabundagem da alma,
ela se desloca para o corpo e para a vontade
e faz com que todos me olhem com reprovação.
Não tenho um ponto de partida ou de chegada,
sou a tartaruga daquela fábula
em um mundo cheio de coelhos.
Vou no meu ritmo, vou com calma,
não me importo se não chegar [...]
Paisagem estival
Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Janeiro 21, 2009 | Deixar um comentário »
(Pintura: Johan Axel Gustav Acke, Water mirror)
Você sentava-se sobre uma pedra
à beira d’água e olhava para seus próprios pés bronzeados.
Mesmo que nossos corpos mudem ou nossa paixão arrefeça,
eu o verei sempre como aquela estátua ao sol,
você é minha paisagem estival, minha imagem de pureza.
Mesmas estradas
Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Dezembro 27, 2008 | 1 Comentário »
(Pintura: Camille Pissarro, Eragny)
Os pés de cana e laranjais formam a paisagem do lado de fora,
ela passa pela janela do ônibus deixando imagens nubladas.
Gostava destas viagens ao interior, via os pastos e as plantações
com olhos e coração, mas hoje não.
Todo o afeto por esses objetos foi gasto nas várias
passagens pelas mesmas estradas.
Tardes empoeiradas
Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Novembro 24, 2008 | 4 Comentários »
(Pintura: Edouard Manet)
Todas as tardes empoeiradas
são parentes das tardes da minha infância.
Via a camada de pó pairando
sobre a estrada e ficava triste,
talvez porque fosse final de dia,
talvez porque não chovesse
e as coisas me olhassem com sede:
casas, árvores, postes, escola.
A chuva caía dentro de mim,
mas a terra continuava seca do lado de fora.
Tudo o que sou
Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Outubro 9, 2008 | 1 Comentário »
(Pintura: Pierre Auguste Renoir, The seine at Asnieres)
Tudo o que sou gira
no remoinho na curva do rio.
A água é clara em dias de sol,
turva quando alguém a
acerta com seixos.
O que sou não tem forma,
é o roçar de alguma saia
trazida pela corrente,
o naufragar de folhas secas.
Girando em turbilhão
por tanto tempo,
confundo-me com a curva,
o rio, o horizonte.
Para longe
Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Outubro 2, 2008 | 5 Comentários »
(Pintura: ceifadoras descansando, Camille Pissarro)
Para longe das cidades, dos edifícios,
das faces sem sorrisos.
Para longe do concreto, do lixo em quantidade,
das frases feitas e dos elogios fáceis.
Para algum campo remoto
onde a vida dispense conversas,
exija toda a energia do corpo
e ofereça apenas uma noite de sono
como recompensa.
No final da tarde
Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Setembro 15, 2008 | 2 Comentários »
(Pintura: Railroad sunset, Edward Hopper)
No final da tarde
vejo as casas iluminarem-se
rapidamente através da janela.
Casas anônimas,
cheias de segredos.
Eu as saúdo
sem esperar uma resposta,
o ônibus, esse insensível,
tem pressa.
O que faremos?
Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Agosto 31, 2008 | Deixar um comentário »
O que faremos depois de contemplar o mar,
mergulhar em suas águas, pisar na areia e sentir o gosto do sal?
Daremos as costas para a praia,
seguiremos em ziguezague pela serra
e retornaremos para nossas casas.
O que faremos depois de provar os pratos
daquele renomado restaurante
acompanhados por taças de champanhe?
Pagaremos a conta, pegaremos o carro
e voltaremos para o lugar [...]
Do que se busca em viagens
Publicado em poesia própria, etiquetado poesia própria em Agosto 21, 2008 | Deixar um comentário »
(Pintura: Montagne Sainte-Victoire de Paul Cézanne)
Vou à Europa para encontrá-lo, meu ideal.
Passarei por Roma, Paris e Amsterdã.
Visitarei as terras nórdicas e saudarei seu povo louro.
Vou à Ásia para sentir o hálito perfumado de seus lábios.
Profanarei templos, caminharei entre os arrozais
com lama até os joelhos carregando seu estandarte.
Vou dar a volta ao mundo para colocá-lo à [...]