Feeds:
Posts
Comentários

Arquivo da categoria ‘poesia própria’

Mercado

(pintura: Rose la rouge de Toulouse-Lautrec)
Vendi meus sonhos a baixo preço
porque era preciso viver
e mantê-los saía muito caro.
Se os tivesse vendido mais cedo
ou se os tivesse mantido mais tempo,
eles teriam mais valor no mercado.

Ler o post por completo »

Fábula

(Desenho de Beatrix Potter)
Que desgraça sofrer dessa vagabundagem da alma,
ela se desloca para o corpo e para a vontade
e faz com que todos me olhem com reprovação.
Não tenho um ponto de partida ou de chegada,
sou a tartaruga daquela fábula
em um mundo cheio de coelhos.
Vou no meu ritmo, vou com calma,
não me importo se não chegar [...]

Ler o post por completo »

Paisagem estival

(Pintura: Johan Axel Gustav Acke, Water mirror)
Você sentava-se sobre uma pedra
à beira d’água e olhava para seus próprios pés bronzeados.
Mesmo que nossos corpos mudem ou nossa paixão arrefeça,
eu o verei sempre como aquela estátua ao sol,
você é minha paisagem estival, minha imagem de pureza.

Ler o post por completo »

Mesmas estradas

(Pintura: Camille Pissarro, Eragny)
Os pés de cana e laranjais formam a paisagem do lado de fora,
ela passa pela janela do ônibus deixando imagens nubladas.
Gostava destas viagens ao interior, via os pastos e as plantações
com olhos e coração, mas hoje não.
Todo o afeto por esses objetos foi gasto nas várias
passagens pelas mesmas estradas.

Ler o post por completo »

Tardes empoeiradas

(Pintura: Edouard Manet)
Todas as tardes empoeiradas
são parentes das tardes da minha infância.
Via a camada de pó pairando
sobre a estrada e ficava triste,
talvez porque fosse final de dia,
talvez porque não chovesse
e as coisas me olhassem com sede:
casas, árvores, postes, escola.
A chuva caía dentro de mim,
mas a terra continuava seca do lado de fora.

Ler o post por completo »

Tudo o que sou

(Pintura: Pierre Auguste Renoir, The seine at Asnieres)
Tudo o que sou gira
no remoinho na curva do rio.
A água é clara em dias de sol,
turva quando alguém a
acerta com seixos.
O que sou não tem forma,
é o roçar de alguma saia
trazida pela corrente,
o naufragar de folhas secas.
Girando em turbilhão
por tanto tempo,
confundo-me com a curva,
o rio, o horizonte.

Ler o post por completo »

Para longe

(Pintura: ceifadoras descansando, Camille Pissarro)
Para longe das cidades, dos edifícios,
das faces sem sorrisos.
Para longe do concreto, do lixo em quantidade,
das frases feitas e dos elogios fáceis.
Para algum campo remoto
onde a vida dispense conversas,
exija toda a energia do corpo
e ofereça apenas uma noite de sono
como recompensa.

Ler o post por completo »

No final da tarde

(Pintura: Railroad sunset, Edward Hopper)
No final da tarde
vejo as casas iluminarem-se
rapidamente através da janela.
Casas anônimas,
cheias de segredos.
Eu as saúdo
sem esperar uma resposta,
o ônibus, esse insensível,
tem pressa.

Ler o post por completo »

O que faremos?

O que faremos depois de contemplar o mar,
mergulhar em suas águas, pisar na areia e sentir o gosto do sal?
Daremos as costas para a praia,
seguiremos em ziguezague pela serra
e retornaremos para nossas casas.
O que faremos depois de provar os pratos
daquele renomado restaurante
acompanhados por taças de champanhe?
Pagaremos a conta, pegaremos o carro
e voltaremos para o lugar [...]

Ler o post por completo »

(Pintura: Montagne Sainte-Victoire de Paul Cézanne)
Vou à Europa para encontrá-lo, meu ideal.
Passarei por Roma, Paris e Amsterdã.
Visitarei as terras nórdicas e saudarei seu povo louro.
Vou à Ásia para sentir o hálito perfumado de seus lábios.
Profanarei templos, caminharei entre os arrozais
com lama até os joelhos carregando seu estandarte.
Vou dar a volta ao mundo para colocá-lo à [...]

Ler o post por completo »

Posts mais antigos »