(Texto publicado no jornal voltado para a comunidade nikkei no qual colaboro)
Junto com o friozinho das noites de inverno, chega a época das festas juninas e julinas. Faz muito tempo que não participo dessas comemorações, mas esta época do ano traz boas lembranças. Quando era criança, morava em um bairro novo, com muitos terrenos ainda vazios onde a molecada da vizinhança se reunia para brincar.
Nos finais de semana de junho, passávamos o dia recolhendo pedaços de madeira nos quintais de nossas casas ou procurando galhos secos no meio do mato, levávamos o que encontrávamos para um dos terrenos que tínhamos limpado e montávamos nossa fogueira. À noite, nós a acendíamos e nos aquecíamos ao seu redor, cada um contribuía com o que podia, alguém levava o milho que uma das mães transformava em pipoca e outro trazia batatas-doces que eram colocadas entre as brasas da fogueira.
Também havia bombinhas, elas pontilhavam nossa pequena festa com seus estouros seguidos pelos gritos da criançada. A alegria era ainda maior quando havia fogos de artifício: chuvas de ouro, buquês de noivas, vulcões ou aquelas simples varetas que acendíamos e segurávamos por uma das pontas enquanto observávamos a chuva de fagulhas coloridas cair no chão. (Hoje em dia, sempre me lembro de que no Japão, neste mesmo período do ano, são realizadas grandes queimas de fogos por todo o arquipélago. A diferença é que aqui é inverno, enquanto lá é verão.)
Depois de comermos as batatas-doces com as mãos sujas após removermos suas cascas pretas como carvão, cada um voltava para casa e, na semana seguinte, repetíamos tudo outra vez.